O Taco em Puebla: O Paradoxo de Cinco Taquerias numa Cidade Mexicana
Por Cozinha

O Taco em Puebla: O Paradoxo de Cinco Taquerias numa Cidade Mexicana

Em Puebla, apenas cinco estabelecimentos se enquadram como taqueria, mas o número engana: o maior score da categoria pertence a um corredor de estrada aberto 24 horas, com preços abaixo de MX$100.

A cena gastronômica de Puebla, com mais de 90 estabelecimentos avaliados e média de 4,6 estrelas, tem uma anomalia curiosa: apenas cinco deles se enquadram como taqueria. Cinco. Numa cidade mexicana. Isso não significa que os tacos são escassos. Significa que a maioria dos lugares que os servem existe num espaço informal onde o taco vive sem etiqueta e sem cardápio impresso. Dos estabelecimentos avaliados, a maioria fica na faixa de até MX$100 por pessoa. Os de preço médio são bem menos numerosos, e o segmento premium quase não existe. Em Puebla, o taco é comida de calçada e de estrada. O caso mais revelador é o Tacos "El Chino", na Autopista Orizaba-Puebla. Aberto 24 horas por dia, todos os dias do ano. Score de qualidade 90,6, o mais alto que encontrei entre as taquerias da cidade. Avaliação de 4,1 estrelas em 556 opiniões. Há uma discrepância interessante: score muito alto, nota de usuário que não acompanha completamente. As palavras mais repetidas pelos clientes explicam o porquê: tamales, cemitas, semitas, quesadillas. Não é uma taqueria especializada. É um corredor de alimentação numa parada rodoviária, que serve tudo, inclusive tacos, por menos de MX$100 a qualquer hora. Para entender o score, considere que 556 avaliações ao longo de uma rodovia de alto fluxo vêm de quem para uma vez, avalia sem ritual e segue viagem. Um score de 90,6 nesse contexto diz algo concreto sobre o produto. Em Lomas de Angelópolis, o Cuetzalan Mío (Av. del Castillo 5832, Plaza Centro Lomas, Tlaxcalancingo) opera num registro diferente. Score de 88,0, avaliação de 4,5 em 106 opiniões, preços entre MX$100 e MX$200. Abre de segunda a domingo, das 7h às 15h, exclusivamente para café da manhã e almoço. Os clientes mencionam porções generosas, conchas, pão e sabor. Um lugar organizado, com assento fixo, que cobra mais e fecha cedo. A comparação entre os dois resume bem o mercado: score 90,6 por menos de MX$100 no "El Chino", contra score 88,0 por até MX$200 no Cuetzalan Mío. O spot de estrada bate o restaurante de bairro em pontuação de qualidade, custa menos e funciona quando o outro está fechado há horas. Em San Andrés Cholula, o perfil é outro: a La Ka'z (C. 14 Pte. 111, 2º piso) tem avaliação de 4,9 em mais de 500 opiniões, com cardápio de ramen, aguachile, samosas e tostadas de atum. Tecnicamente não é taqueria, mas é onde o público jovem de Cholula passa as tardes entre 13h e 21h, num espaço que mistura comida asiática e mexicana. O padrão que emerge é esse: as taquerias com maior pontuação em Puebla estão nos eixos rodoviários, não no centro. O centro histórico e Cholula atraem formatos diferentes, mais híbridos. A lacuna evidente é uma taqueria urbana com horário noturno, dentro da cidade, entre MX$100 e MX$200. O mezcal que atualmente domina os cardápios de bares em todo o México chegou às mesas de Cholula, mas ainda não criou o equivalente gastronômico em tacos. O melhor valor disponível agora está na autopista, aberto às três da manhã, com score que supera tudo que cobra o dobro.

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