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Prato de café da manhã servido no Los Benes Temozón Norte em MéridaGuia

O Pão que Pára a Estrada: Los Benes Temozón Norte

Na Carretera Mérida-Progreso, quilômetro 10.5, o melhor café da manhã de Mérida sai de um forno que nunca descansa.

Oito e meia da manhã. Sábado. A Carretera Mérida-Progreso marca quilômetro 10.5 e o estacionamento do Los Benes Temozón Norte já está lotado. O cheiro de pão de milho recém-saído do forno se mistura com o vapor dos cafés. Uma família inteira ocupa a mesa do canto, cada um com um prato diferente na frente. É isso que define o Los Benes: ninguém pede a mesma coisa. O cardápio é extenso, e cada item parece ter seu público fiel. Os huevos motuleños são o pedido mais citado nas avaliações. O ovo frito chega sobre tortilla crocante, coberto por molho de tomate com um toque de pimenta, acompanhado de presunto serrano, ervilhas, feijão preto e banana frita na lateral. É café da manhã e almoço ao mesmo tempo. Uma refeição que te sustenta até as quatro da tarde. Pergunte a qualquer habitué qual é a estrela da casa e a resposta vai te surpreender. Não são os ovos. É o pan de elote. Pão de milho doce, úmido, com textura que lembra bolo mais que pão. Chega quente, com crosta dourada por cima e um interior tão macio que quase escorre da faca. Quem avalia pela primeira vez quase sempre menciona esse pão antes de qualquer outro prato. Os regulares, por sua vez, insistem que o eggs benedict é subestimado, que deveria ser o carro-chefe. E os que chegam com pressa falam dos cinnamon rolls com a reverência de quem descobriu algo sagrado numa manhã de terça-feira. As portas abrem às 8 da manhã de terça a sexta, com horário estendido nos fins de semana (até 1:15 da tarde no sábado e domingo). Segundas-feiras, o Los Benes descansa. A panaderia funciona em levas ao longo da manhã: cinnamon rolls e pan dulce saem primeiro, seguidos pelo bolo de cenoura lá pelas 10. Os cinnamon rolls costumam acabar antes das 11. Os que sabem, chegam cedo. Com mais de mil avaliações e nota 4.6, o Los Benes construiu o tipo de reputação que dispensa propaganda. A fila é o marketing. O endereço completo é Carr. Mérida-Progreso Km 10.5, Temozón Norte, e os preços ficam entre MX$100 e MX$200. A uns quinze minutos dali, na Calle 57 #207 da colônia Francisco de Montejo, o VITA Memories trabalha com a mesma matéria-prima: café da manhã com personalidade. Os birria chilaquiles daqui são cult entre a galera que acorda com fome de verdade. Tortilla chips embebidos no caldo escuro de birria, com queijo derretido, cebola roxa, coentro fresco e um espremido de limão por cima. Pesado e memorável. Os "yucatecan benedictines" (um eggs benedict reimaginado com ingredientes locais) aparecem em quase toda avaliação do lugar. O cold brew latte é daqueles que fazem você esquecer certas redes internacionais de café. Nota 4.6, preços entre MX$100 e MX$200, portas abertas a partir das 7:30 da manhã. O VITA conquistou quase 700 avaliações em pouco tempo de operação, com um cardápio que mistura comfort food com alma yucateca. De volta ao Los Benes. Quase meio-dia. A fila diminuiu. A última leva de pan dulce resfria no balcão. Uma senhora paga a conta com uma sacola de pães na mão esquerda, sorriso largo. É sábado em Temozón Norte. E em Mérida, a qualidade de um sábado se mede pela qualidade do pão.

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Fachada e ambiente do restaurante Ma'Le no Centro de MéridaGuia

Camarão com Coco ao Meio-Dia, Burrata à Meia-Noite: Mérida em Dois Atos

Dois restaurantes, dois momentos do dia: o Ma'Le conquista pelo ceviche e camarão no almoço, o VANA transforma a noite meridana com mixologia molecular e tapas mediterrâneas.

Uma da tarde na Calle 47, entre a 68 e a 66, Centro de Mérida. O calor lá fora é o de sempre: impiedoso. Mas dentro do Ma'Le, o mundo é outro. Cheiro de limão espremido na hora e habanero no ar. As mesas estão todas ocupadas. Um casal divide um aguachile que parece arte em prato fundo, verde intenso, com fatias translúcidas de peixe cru. Na mesa ao lado, alguém levanta o celular para fotografar camarões antes de dar a primeira mordida. O burburinho é de almoço feliz, daqueles que ninguém tem pressa de terminar. O Ma'Le fica na Calle 47 526A e abre todos os dias das 11h às 21h. A carta é de frutos do mar com alma mexicana, do tipo que funciona tanto no almoço rápido quanto na refeição demorada com margaritas. O ceviche é o clássico da casa, presente em quase todas as mesas, mas eu volto pelo camarão empanado com coco. A casca é de coco tostado, dourada, que estala quando você morde. Dentro, o camarão é gordo, suculento, quase derretendo. O molho de chipotle ao lado tem aquele ardor lento que sobe pelo nariz e te faz pedir outro gole da margarita. Os frequentadores também não largam o polvo, o aguachile de habanero, os chiles en nogada na temporada certa, o cheesecake de sobremesa. Com 4.7 de avaliação em mais de 240 opiniões, o Ma'Le conquistou clientela fiel sem fazer barulho nenhum. Seis da tarde. O sol finalmente dá trégua e Mérida ganha outra cara. As calçadas do Centro enchem de gente passeando sem pressa. A caminhada até o Parque de la Mejorada leva uns quinze minutos, e no caminho o bairro muda de tom: menos turista, mais morador local voltando do trabalho. É nesse canto da cidade que o VANA espera. O VANA fica na C. 50-A 489, abre às 17h e vai até a 1h de quinta a sábado. O cardápio é inesperado para Mérida. Tábua de queijos com figo, presunto serrano, burrata cremosa, hummus. Parece que alguém transplantou um bar de tapas mediterrâneo para o meio de Yucatán, só que os coquetéis de mixologia molecular lembram que você está no México. Quem vai com frequência fala da Mitzy, que cuida do salão com uma atenção que transforma jantar em experiência. Tem valet parking, o que em Mérida resolve aquele problema eterno de estacionar no Centro quando a intenção é beber sem preocupação. A nota de 4.8 com mais de 1600 avaliações não é por acaso. Às dez da noite, o VANA tem aquela energia de lugar que funciona. Conversa alta, copos bonitos na mesa, gelo tilintando, a luz baixa fazendo o trabalho que toda boa iluminação de bar deveria fazer. Pedi um coquetel molecular e uma porção de burrata para começar. A burrata veio com um fio de azeite e sal em flocos. Dois ingredientes fazendo o trabalho de vinte. É o tipo de prato que te faz questionar por que outros lugares complicam tanto. Fecho os olhos e a Mérida gastronômica aparece em duas cenas. O Ma'Le ao meio-dia, com aquele camarão com coco estalando entre os dentes, o aguachile verde que mancha o prato, o polvo que não sai da cabeça, as margaritas que ninguém pediu só uma. Depois, o VANA à noite, o brilho gelado de um coquetel na mão, a burrata derretendo no prato. Dois restaurantes, dois horários. Uma cidade que continua me pegando de surpresa quando eu acho que já conheço tudo.

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