Guadalajara muda rápido. Nos últimos meses, uma safra de restaurantes e bares com propostas mais ousadas tem aparecido em bairros como Americana e Providencia. Não são os clássicos com filas desde 1985. São lugares que ainda estão encontrando sua identidade, testando cardápios, ajustando preços e formando clientela. É nessa fase que eu gosto de ir: quando o chef ainda está na cozinha todo dia, o atendimento se esforça, o cardápio surpreende e a experiência ainda não virou fórmula. Fui conferir quatro endereços que vêm ganhando tração.
Almaena Restaurante fica na Avenida Providencia 2388, no térreo, no bairro de Providencia. Tem 778 avaliações e uma nota de 4.8, o que em Guadalajara é raro. O cardápio é de café da manhã e brunch: chilaquiles, tacos de barbacoa, torrada de abacate, french toast, waffle de cenoura, enfrijoladas e um croissant de prosciutto que aparece em avaliação atrás de avaliação. Tem área infantil, o que resolve um problema real. Dá para comer com calma enquanto as crianças ficam ocupadas em outro canto do salão. Abre todos os dias a partir das 8h, com fechamento às 22h de segunda a sábado e às 18h no domingo. Pratos na faixa de $100 a $200 pesos mexicanos. Para o nível de execução, é justo.
La Panga del Impostor ocupa o número 2189 da Calle Miguel Lerdo de Tejada, na Colonia Americana. Tem 1.514 avaliações e nota 4.4. Não é uma cevichería qualquer. O cardápio mistura aguachile com tutano, tostada de polvo, tuna com habanero negro, ceviches e, de sobremesa, sorvete de lavanda. Tem mezcal na carta, como manda a onda atual dos bares e restaurantes mexicanos. Funciona só à tarde, das 13h até 18h ou 19h dependendo do dia da semana. Com esse volume de avaliações, a La Panga já não é novata, mas a proposta criativa mantém o lugar com cara de descoberta. Quem vai esperando peixe frito com limão vai se surpreender.
Pigalle é um bar de coquetéis na Calle Emeterio Robles Gil 137, também na Americana. Com 673 avaliações e nota 4.6, é um dos endereços mais novos desta lista. Os destaques nas avaliações são os negronis e os old fashioneds. Quem já foi elogia o ambiente e a iluminação, e vários mencionam que o volume da música é baixo o suficiente para conversar, coisa rara por aqui. Abre das 19h à 1h de domingo a quinta, estendendo até as 3h nas sextas e sábados. Preços entre $100 e $200 pesos por drink. É o tipo de bar que Guadalajara precisava ter mais: sem pretensão exagerada e com drinks bem feitos. O tipo de lugar que convida a ficar.
E tem um nome que vale anotar: o Garabato Café, com apenas 141 avaliações e uma nota de 4.9. Pratos abaixo de $100 pesos. Uma nota dessas com qualquer volume de avaliações já chamaria atenção em Guadalajara. Com tão poucas, pode ser sorte ou pode ser que o lugar seja bom de verdade. É cedo para cravar, mas o sinal inicial é forte.
Entre todos, o Almaena é quem eu aposto como o mais consistente a longo prazo. Manter 4.8 com quase 800 avaliações exige qualidade real, não só novidade. A La Panga tem a proposta mais corajosa do grupo. O Pigalle preenche um espaço que faltava na noite da Americana. E o Garabato, com suas 141 avaliações e nota quase perfeita, é a aposta de risco da lista. Se você está planejando um fim de semana em Guadalajara, comece no Almaena pela manhã e almoce na La Panga à tarde. Feche a noite no Pigalle. Esse roteiro, hoje, é o que a cidade tem de mais fresco.