Guadalajara depois das dez da noite muda de cara. Na Avenida Chapultepec, na colônia Americana, letreiros de neon piscam sobre filas que se formam na porta dos bares. Cheiro de elote e carne asada sobe das carrocinhas estacionadas na calçada. O trânsito diminui, mas o barulho não. Gente saindo de restaurantes, casais dividindo um mezcal na esquina, grupos discutindo o próximo destino, alguém rindo alto do outro lado da rua. A cidade não dorme cedo, e quem mora aqui sabe disso. A pergunta é só uma: onde ir agora?
O Pigalle fica na Calle Emeterio Robles Gil 137, a poucos minutos a pé da Chapultepec. Abre às 19h e fecha à 1h de domingo a quinta. Na sexta e no sábado, vai até as 3h da manhã. É um bar de coquetéis com carta enxuta e bem executada. Os negronis são referência entre quem conhece a cena de drinks da cidade, e o old fashioned tem uma consistência que muitos lugares maiores não conseguem. A onda de mezcal que tomou conta dos bares mexicanos chegou aqui com elegância, sem exagero. O que diferencia o Pigalle é o volume: a música permite conversa, coisa rara na Americana depois da meia-noite. A rua é mais tranquila que a Chapultepec, a duas quadras. Dá para sair, tomar ar e voltar sem perder o lugar. Drinks na faixa de $100 a $200 pesos, nota 4.6 com mais de 670 avaliações. Se você quer começar a madrugada com calma ou esticar a noite sem o caos das baladas ao redor, aqui é o ponto.
Agora, se é sexta ou sábado e o que você quer é barulho, o The Urban Live Bar espera na Avenida Chapultepec Sur 177, segundo andar. Funciona das 20h30 às 3h, exclusivo de fim de semana. De domingo a quinta, fechado. O formato é direto: bandas ao vivo tocando pop rock, disco, rock en español e reggaeton conforme o ânimo da plateia. O lugar começa morno, mas conforme passa da meia-noite, a galera que sai dos bares da Chapultepec lá embaixo vai subindo e enchendo o espaço. Perto da 1h, todo mundo canta junto com os copos levantados. Não é lugar para conversa. É lugar para perder a voz. A localização ajuda: sai de qualquer bar da avenida e sobe a escada. Nota 4.4, mais de 2.600 avaliações.
E quando tudo fecha? Casa Bariachi. Avenida Ignacio L. Vallarta 2221, bairro Arcos Vallarta. Aberto todos os dias, das 13h às 3h da manhã. Sem exceção. Nenhum outro lugar nesta lista abre tão tarde com tanta regularidade. Com mais de treze mil avaliações e nota 4.4, esse restaurante mexicano é uma instituição da madrugada tapatía. Mariachis ao vivo e dança folclórica no palco enquanto a cozinha manda molcajetes, chamorro, arrachera e tortas ahogadas até a última mesa fechar a conta. Os molcajetes chegam borbulhando na pedra vulcânica e o chamorro vem com a carne soltando do osso. Perto das 2h, a clientela muda: famílias que esticaram o jantar dividem espaço com a galera das baladas, turistas que seguiram o som dos violinos, casais que perderam a hora e taxistas fazendo uma pausa. O preço é justo para o que entrega. E o mariachi toca pedidos até alguém pedir para parar. Ninguém pede.
Quando o relógio passa da meia-noite em Guadalajara, as opções diminuem, mas não desaparecem. O Pigalle segura a onda com coquetéis bem feitos até a 1h (3h nos fins de semana). O The Urban Live Bar esquenta a Chapultepec nas sextas e sábados até as 3h. Mas o endereço que você precisa salvar no celular é um só: Casa Bariachi, Avenida Vallarta 2221, aberto até as 3h, todos os dias. Quando bater a fome de madrugada, vai me agradecer.