São oito da manhã na Calle 58. O Parque Santa Lucía está quieto, só o som dos pássaros e o barulho distante de um caminhão. No pátio do Tinoc Café, as mesas já começam a encher. Cheiro de café moído, som de louça, uma risada num canto, conversa em espanhol misturada com inglês. Alguém pede chilaquiles. Outro, avocado toast. A garçonete passa entre as mesas com dois pratos equilibrados no braço e anota o próximo pedido sem pressa nenhuma.
O Tinoc fica na C. 58 444, de frente para o Parque Santa Lucía, Centro. Com nota 4.7 e quase mil avaliações, o café se tornou um desses lugares que todo mundo conhece mas que não perdeu o charme. O cardápio cobre terreno amplo: avocado toast, french toast, grilled cheese, molletes, bowls com proteína. Tudo por menos de MX$100. Quem volta sempre menciona a mesma coisa: a consistência. Não é um lugar que tem dias ruins. É um café para comer com apetite.
Os chilaquiles merecem parágrafo próprio. Chegam quentes, com as tiras de tortilla mantendo a crocância mesmo sob o molho generoso. Creme fresco por cima, formando poças entre o queijo derretido. O que importa aqui é a textura: o contraste entre o mole do creme e o estalo da tortilla, entre o frio e o calor. Prato de manhã cedo, feito para aguentar o dia inteiro de sol yucateco.
O pátio é o motivo pelo qual muita gente volta ao Tinoc. O café funciona das 7:30 da manhã às 9 da noite, sete dias por semana. De manhã, o público come devagar: molletes com presunto ibérico e café com calma. Ninguém olhando o relógio. No meio da tarde, aparecem os que procuram canto para trabalhar, laptop aberto e fone de ouvido. Lá pelas 6, o clima muda. Bowls com longganisa e grilled cheese aparecem nas mesas, as conversas ficam mais altas. O Tinoc se transforma ao longo do dia sem mudar de endereço.
A dez minutos a pé, na C. 49 464, o Masa Madre Café opera em outro ritmo. Nota 4.7, pouco mais de 200 avaliações, espresso bar de bairro. Aqui o pão de fermentação natural comanda tudo. O cardápio é curto e bem editado: torrada de presunto serrano, torrada de burrata, pão de elote, eggs benedict, croque madame. Preços entre MX$100 e MX$200, um degrau acima do Tinoc, mas cada prato justifica. Fecha às segundas-feiras. Nos outros dias, abre das 8h às 14h, pausa, e reabre das 17h às 23:30. O Masa Madre também tem pátio. Quem conhece os dois cafés percebe a diferença: o do Tinoc é barulhento e cheio de gente; o do Masa Madre é para sentar, comer devagar, pedir mais um café (o refil é de graça). A estrela para mim é a burrata toast: fatia de sourdough tostada, queijo burrata por cima que se abre ao primeiro corte da faca, derramando creme sobre o pão quente. Parece simples. Exige pão muito bom para funcionar. E o pão aqui é muito bom.
De volta ao Tinoc, passam das dez. O Parque Santa Lucía encheu de gente e de barulho. O pátio está lotado. Alguém fotografa os chilaquiles antes de comer. Mérida tem centenas de cafés, a maioria funciona bem. Mas o Tinoc na Calle 58 e o Masa Madre na Calle 49, cada um com sua personalidade, são os dois endereços que eu dou quando alguém me pergunta onde tomar café no Centro. Um é rápido e acessível. O outro é mais calmo e um pouco mais caro. Os dois valem a caminhada.
Ler Artigo Completo