La Ruina e Monk: Os Bares Que Dividem o Dia em Mérida
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La Ruina e Monk: Os Bares Que Dividem o Dia em Mérida

Uma cantina yucateca que fecha às sete da noite. Um bar de rock que abre às oito. Dois mundos no mesmo Centro histórico de Mérida.

São duas e meia da tarde numa quarta-feira. O sol de Mérida castiga a Calle 69, mas no pátio do Bar La Ruina a cerveja chega gelada, com gotas escorrendo pelo copo. Uma mesa de amigos pede outra rodada. No fundo, alguém ri alto. O comediante do dia testa material novo para um público pequeno, e o barulho dos pratos se mistura com as gargalhadas. La Ruina é o tipo de cantina que Mérida faz melhor que qualquer outra cidade mexicana. Fica na Calle 69 por 70 y 72, número 570, no Centro histórico. Funciona todo dia das 12:30 às 19h. Fecha às sete da noite, sem exceção. Isso, por si só, conta uma história: é bar de quem bebe de dia e volta para casa antes do jantar. Com 4.5 estrelas em mais de 1.500 avaliações, o lugar não precisa de nenhum truque para lotar. A cozinha é yucateca e sem pretensão. A guisada é o prato que eu voltaria para comer: chega quente, densa, com o tipo de molho escuro que só horas de cocção conseguem produzir. A carne se desfaz na tortilla de milho antes de você precisar morder, e o vapor sobe carregando um cheiro de especiarias que faz a mesa vizinha perguntar o que você pediu. É comida de avó servida com cerveja gelada, numa combinação que nenhum menu conceitual vai superar. Tudo na faixa de $100 a $200 pesos. Dá para comer e beber sem consultar o saldo bancário. O pátio é onde tudo acontece. Mesas soltas e conversas em volume que sobe conforme as cervejas vão descendo. Os comediantes são parte da identidade do La Ruina: sobem para apresentações ao vivo enquanto os copos esvaziam, misturando humor local com a acústica imperfeita de um espaço que não foi projetado para shows. Visitantes mencionam o caráter yucateco do lugar e a cerveja que nunca chega morna. É um bar que pertence ao bairro, não a um roteiro de viagem. Mas quando La Ruina fecha as portas, Mérida muda de tom. Na Calle 70, número 476, perto do Parque Santiago, o Monk Sportsbar abre às oito da noite e vai até as duas e meia da madrugada, de quarta a domingo. Com 4.7 estrelas em mais de 500 avaliações, é o bar com a nota mais alta da região central. A proposta é oposta à da cantina: rock ao vivo, new metal, noites de tribute band, cocktails que acompanham o volume dos amplificadores na mesma intensidade. A faixa de preço é a mesma ($100 a $200 pesos), mas a energia não poderia ser mais diferente. Quem frequenta fala do ambiente e dos cocktails, elogiando um atendimento que não perde o ritmo nem nas noites mais cheias. A mesa vibra com o grave do baixo. O ar pesa com calor e gente. La Ruina e Monk funcionam em turnos, como se tivessem combinado dividir o dia. De um lado, pátio com sombra e guisada no prato. Do outro, distorção e gelo no copo até a madrugada. Dá para fazer os dois no mesmo dia. A guisada às duas da tarde. O cocktail às onze da noite. Numa cidade onde o calor dita o ritmo de tudo e onde o mezcal começa a disputar espaço com a cerveja nos bares noturnos, faz sentido que os melhores endereços tenham encontrado seus horários e se recusem a competir. Mérida aguenta os dois. A pergunta é se você aguenta também.

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Prato de comida yucateca servido no Bar La Ruina em MéridaDestaque

Bar La Ruina: a cantina de Mérida onde ninguém tem pressa

Na Calle 69 do Centro de Mérida, o Bar La Ruina serve comida guisada yucateca com cerveja gelada e comediantes ao vivo no pátio. Todos os dias, das 12h30 às 19h.

Meio-dia e meia numa quarta-feira. A Calle 69 do Centro de Mérida ainda carrega aquele calor parado do começo da tarde no Yucatán. O Bar La Ruina acabou de abrir. Poucas mesas ocupadas, cervejas geladas chegando com a calma de quem sabe que pressa não combina com cantina. La Ruina fica no número 570, entre as ruas 70 e 72. Funciona todos os dias, das 12h30 às 19h. Uma cantina de expediente. Sem noitadas, sem madrugadas. Sem pretensão de virar outra coisa. Quem chega cedo pega mesa no pátio. Quem chega depois das duas, disputa. O Centro de Mérida tem dezenas de cantinas, mas poucas com a consistência do La Ruina. Com mais de 1.500 avaliações e nota 4.5, o lugar sobrevive não por modismo, mas por rotina. Os frequentadores voltam porque sabem o que vão encontrar. O cardápio é cantina yucateca clássica. Comida guisada, feita no dia, do tipo que pede repetição. Pratos entre $100 e $200 pesos mexicanos. Nada de menu degustação, nada de releitura contemporânea. A guisada que chega à mesa tem textura macia de cozimento lento, temperada com recado (a pasta de especiarias que define a cozinha do Yucatán), envolta num caldo espesso que gruda na tortilha de milho. O sabor é denso, com camadas de achiote e orégano yucateco que se revelam conforme o caldo esfria. Qualquer chef de restaurante caro pagaria para replicar essa consistência. Aqui, custa menos de $200 pesos e chega num prato sem decoração nenhuma. O que separa La Ruina do resto é o programa de comediantes ao vivo. Enquanto você come e toma sua cerveja gelada, alguém sobe ao palco para tentar arrancar risada da plateia. Às vezes funciona. Às vezes a piada morre no ar e todo mundo ri assim mesmo, porque cantina é isso: o clima carrega mais do que a qualidade do show. O pátio enche, a conversa sobe de volume, alguém bate palma num prato improvisando percussão. La Ruina funciona como sala de estar coletiva do bairro. Uma cantina onde o barulho faz parte do serviço. Quando o La Ruina fecha às sete da noite, Mérida não apaga. A dez minutos a pé, na Calle 70, número 476, o Monk Sportsbar acende às 20h junto ao Parque Santiago. É outro animal. Nota 4.7 com pouco mais de 500 avaliações, a mais alta entre os bares do Centro. Funciona de quarta a domingo até as 2h30 da manhã. O som oscila entre rock pesado e new metal ao vivo, com covers de bandas clássicas nos fins de semana. Coquetéis entre $100 e $200 pesos. Quem entra no Monk não vai pela comida. Vai pelo volume e pela energia de uma banda tributo tocando a dois metros da sua mesa. O tipo de noite compacta que bar grande não consegue replicar. Volto ao La Ruina na sexta-feira seguinte, pouco antes das seis. O pátio está lotado. O comediante no palco faz uma piada sobre o calor de Mérida que arranca gargalhada até de quem já ouviu variações da mesma piada cinquenta vezes. Na mesa ao lado, alguém pede a conta, olha o relógio, pede mais uma cerveja. A cantina fecha em uma hora. Ninguém parece ter recebido o aviso. Se existe um lugar em Mérida onde a palavra "ruina" soa como elogio, é na Calle 69, todos os dias, das 12h30 às 19h.

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