Artigos em Destaque

Fachada do Pé na Lapa bar na Vila Romana em São PauloGuia

El Tranvía: A Parrillada Uruguaia Que Virou Ritual de Domingo em São Paulo

Na divisa de Higienópolis com Santa Cecília, uma casa de carnes uruguaia transformou o almoço de fim de semana em programa de três horas com brinquedoteca, política de rolha e ancho na brasa.

O cheiro chega primeiro. Carvão. Gordura derretendo na brasa. Uma fumaça que sobe pela Rua Itaguaba e pega quem passa desprevenido. São meio-dia de sábado em Santa Cecília, e o Restaurante & Parrillada El Tranvía já lotou. Há famílias com crianças que desapareceram na brinquedoteca do fundo, casais abrindo garrafas de vinho trazidas de casa, senhores debatendo o ponto ideal do corte, e um garçom equilibrando uma tábua de ancho fumegante entre as mesas. A parrillada uruguaia funciona no número 270, na divisa de Higienópolis com Santa Cecília. É endereço que não impressiona por fora, mas que carrega por dentro aquela tradição rio-platense de levar carne a sério. De segunda a sábado, abre ao meio-dia e vai até a meia-noite. Domingos até as 17h, que é quando o salão atinge seu ápice. São mais de 2200 avaliações com nota 4.6, e entre os termos mais frequentes nos comentários estão "ancho", "cortes de carne", "brinquedoteca" e "doce de leite". Quatro palavras que dizem o suficiente. O ancho é o prato que resume a casa. Chega numa tábua de madeira, crosta externa escura de tão caramelizada, interior rosado com uniformidade que só grelha a carvão em temperatura certa produz. A textura cede ao garfo sem resistência. O suco escorre pelo prato e encontra a farofa de acompanhamento, grossa e salgada, feita ali mesmo, que absorve tudo sem perder a crocância. Antes do principal, a linguiça abre caminho. Cortada em rodelas que estouram ao primeiro toque da faca, defumada e suculenta. Funciona melhor que qualquer couvert. Na sobremesa, doce de leite denso com gosto de caramelo queimado que só horas numa panela explicam. Na faixa de R$ 120 a R$ 140 por pessoa, o El Tranvía não é almoço rápido de terça. É programa de fim de semana. A brinquedoteca é o que separa o El Tranvía de outras casas de carne. Pais comem em paz enquanto crianças somem por duas horas. O almoço dominical que começa ao meio-dia se estende até o fim da tarde sem que ninguém consulte o relógio. As mesas ficam ocupadas até as 15h, e mesmo depois há quem peça mais uma sobremesa só para esticar. A política de rolha atrai quem prefere trazer o próprio vinho. Nos comentários online, "rolha" aparece com frequência, sempre como elogio. O resultado é um almoço sem pressa de acabar, num lugar sem pressa de te mandar embora. Para quem busca o oposto complementar durante a semana, vale conhecer o Pé na Lapa bar na Vila Romana. Na Rua Coriolano, 336, o clima é de boteco raiz com execução séria. Mais de 800 avaliações com nota 4.5. Aberto do almoço às 23h (domingo até as 18h), o bar construiu fama em cima de feijoada, caipirinha, cerveja gelada e comida de boteco feita com cuidado. O custo-benefício aparece como elogio constante entre quem frequenta. O happy hour é honesto. A feijoada virou compromisso semanal no bairro, daqueles que o pessoal marca com dias de antecedência. De volta à Rua Itaguaba, três da tarde. O movimento do almoço no El Tranvía afrouxou, mas não acabou. Sobremesas sendo pedidas. Cafés chegando às mesas. A fumaça da grelha diminuiu, porém o cheiro ficou nas roupas, no cabelo, no salão, na memória. Esse lugar não precisa de conceito elaborado, de cardápio degustação de doze etapas, de iluminação planejada por designer, de hashtag no perfil. Precisa de carvão bom e carne boa. E de gente que sabe usar os dois. Na Itaguaba, 270, sabem.

Ler Artigo Completo
Prato de comida nordestina servido na Casa do Norte Tradicional em ItaqueraDestaque

Casa do Norte em Itaquera: Onde São Paulo Mata a Saudade do Sertão

Com mais de 3 mil avaliações e nota 4.5, a Casa do Norte Tradicional em Itaquera alimenta a Zona Leste com o melhor da cozinha nordestina. O escondidinho de carne seca é inesquecível.

Meio-dia e quarenta numa terça-feira em Itaquera. A Casa do Norte Tradicional, na Avenida Maria Luiza Americano, 198, tem aquele barulho inconfundível de restaurante lotado: conversa alta, talheres batendo no prato, copos estalando na mesa, pedidos sendo gritados para a cozinha. Faz calor. Todo mundo come rápido e com vontade. São Paulo tem a maior comunidade nordestina fora do Nordeste. Essa migração, que começou no século passado e nunca parou, moldou bairros inteiros da Zona Leste. Criou uma demanda por comida que tivesse o tempero certo e a carne no ponto certo. A Casa do Norte é uma resposta a essa demanda. Com nota 4.5 no Google e mais de 3 mil avaliações, o restaurante não sobrevive de novidade. Sobrevive de constância. Gente que volta toda semana porque o sabor é igual ao de casa e o prato chega do mesmo jeito toda vez. O escondidinho de carne seca é o prato que domina as mesas. Chega numa travessa com a camada de purê de mandioca dourada por cima, com aquela casquinha fina que estala quando o garfo fura. Embaixo, carne seca desfiada com tempero forte, do tipo que aquece a garganta antes de chegar ao estômago. A textura da carne é macia, quase desmanchando. O contraste entre o purê cremoso e a carne salgada funciona toda vez. Prato simples. Execução perfeita. O cardápio vai fundo na cozinha nordestina. O baião de dois vem carregado de feijão de corda com queijo coalho derretido no meio do arroz, e a porção é honesta, dá pra dividir entre dois e sobrar pra um. A feijoada das quartas-feiras atrai uma clientela fiel que já sabe o dia e chega cedo. O torresmo é crocante e salgado na medida certa. A carne de sol bem passada acompanha mandioca cozida macia, daquelas que você nem precisa mastigar. A linguiça na chapa tem aquele defumado que gruda no paladar. Para beber, caipirinha clássica: limão com cachaça no gelo, sem firula. O restaurante fecha às segundas. De terça a sábado funciona das 11h30 às 23h30. Quem vai no almoço enfrenta o salão cheio, especialmente entre meio-dia e 14h. Pegar mesa perto da 13h exige paciência. À noite o ritmo é outro, mais calmo e com mais espaço. O mesmo sabor. Itaquera não é roteiro gastronômico de revista. É bairro de trabalhador, de gente que come por necessidade e por prazer ao mesmo tempo. A Casa do Norte entende isso e cobra preços que fazem sentido para quem mora ali. Não é restaurante de experiência. É restaurante de alimentação. Às 14h a correria vai diminuindo. Mesas esvaziam devagar. Alguém pede mais um café. O cheiro de tempero forte ainda toma conta do ar. Lá fora, a avenida segue barulhenta, indiferente ao que acontece ali dentro. Mas quem acabou de comer sai diferente. Sai com o estômago pesado no melhor sentido e com uma pergunta que vai voltar a incomodar na próxima quarta-feira: por que eu não venho aqui mais vezes?

Ler Artigo Completo
Prato de carne grelhada no Restaurante El Tranvía em HigienópolisDestaque

El Tranvía: A Parrillada Uruguaia que Conquistou Higienópolis

No limite entre Santa Cecília e Higienópolis, o El Tranvía serve cortes de carne uruguaia que criaram uma legião de fiéis em São Paulo.

Às 13h de um sábado, a R. Itaguaba, 270, cheira a lenha. No limite entre Santa Cecília e Higienópolis, o Restaurante & Parrillada El Tranvía está lotado. Não é novidade. O salão enche cedo aqui. Quem chega depois da uma e meia no fim de semana espera. Uma família passa pela porta carregando uma garrafa de Tannat uruguaio. O restaurante aceita rolha, o que significa que boa parte da clientela chega com vinho próprio debaixo do braço. É um detalhe que muda tudo: você escolhe o que beber, no seu ritmo, sem a margem de lucro de uma carta de vinhos. Na mesa ao lado, um grupo de quatro amigos já está no segundo prato. Crianças correm para a brinquedoteca. É barulhento. É vivo. O tipo de caos organizado que marca um bom restaurante de carne. O ancho é o que traz as pessoas pela primeira vez. Chega à mesa com crosta escura, quase caramelizada pelo calor direto da grelha. Quando a faca entra, o corte revela um interior rosado, uniforme, suculento. A gordura derrete devagar na língua, com aquele sabor que lembra manteiga queimada e sal grosso. Não é um corte que exige esforço para mastigar. Ele cede. Na faixa de R$ 120 a R$ 140 por pessoa, o preço não é baixo, mas a porção é generosa e a qualidade justifica cada real. Peça mal passado se puder. É outro nível. A linguiça chega estralando. A farofa tem textura grossa, feita na hora, com um toque amanteigado que complementa a carne sem competir. Para sobremesa, doce de leite espesso, servido sem cerimônia, do jeito que tem que ser. Quem pede salgados de entrada não se arrepende, mas o conselho é guardar espaço para o prato principal. Seu estômago vai agradecer. Com nota 4.6 e mais de 2 mil avaliações, o El Tranvía não é um restaurante novo tentando se provar. É um endereço consolidado numa região onde competição não falta. Higienópolis é território de casas caras que apostam na decoração e falham no prato. Aqui, a aposta é diferente: carne uruguaia, fogo de verdade, serviço direto, sem firula. Funciona de segunda a sábado do meio-dia à meia-noite, e aos domingos até as 17h. Planeje o almoço dominical com antecedência, porque mesa vaga depois da uma da tarde é raridade. O que segura a clientela é a consistência. É o tipo de lugar onde você leva um amigo cético e ele volta na semana seguinte sem você. Os frequentadores falam do churrasco, mas falam também do ambiente, do ritmo do serviço, da rolha liberada, do fato de que crianças são bem-vindas sem que o restaurante vire uma praça de alimentação. Essa combinação é rara em São Paulo, uma cidade onde restaurante bom para casal nem sempre é bom para família, e vice-versa. O El Tranvía resolve esse problema sem fazer concessão na comida. Quando você levanta da mesa, pesado e satisfeito, com cheiro de brasa grudado na camisa, a R. Itaguaba parece mais bonita do que quando você chegou. O El Tranvía não tenta ser sofisticado. Não precisa. A carne fala.

Ler Artigo Completo
T-Burguer na Rua Brigadeiro Galvão em Santa Cecília, São PauloDestaque

Boteco do Gois: O PF Vegano que Alimenta Santa Cecília por Menos de Vinte Reais

Na Avenida São João, um boteco com mais de duas mil avaliações serve coxinha de jaca e feijoada completa por preço de salgado, enquanto a poucos quarteirões o T-Burguer fica aberto até as 5 da manhã.

São seis da tarde numa terça-feira e a Avenida São João segue no ritmo de sempre: ônibus, buzinas, gente apressada, outros cruzando no sinal vermelho. Na calçada do número 2170, em Santa Cecília, uma fila curta se forma na porta do Boteco do Gois. Não é restaurante bonito. Não tem fachada instagramável. Mas o cheiro que sai de lá para a calçada é de feijoada fresca, e custa menos de R$ 20 com direito a tudo. O Boteco do Gois é um daqueles lugares que você passa mil vezes antes de entrar. E quando entra, não entende como demorou tanto. Com 4.6 de nota e mais de duas mil avaliações, o restaurante se consolidou como um dos melhores PFs de Santa Cecília, talvez da região central inteira. Mas o que separa o Gois de outros botecos paulistanos é a aposta forte na comida vegana. Coxinha de jaca. Leia de novo. Coxinha. De jaca. O recheio de jaca desfiada substitui o frango com uma precisão que engana carnívoro convicto, e quando você morde aquele primeiro pedaço quente, a jaca vem temperada, suculenta, com aquele gosto que faz você esquecer que não tem carne nenhuma ali dentro. A textura fibrosa da jaca imita o desfiado do frango de um jeito que parece pegadinha. Tem bife de soja que vem acompanhado de arroz, feijão, salada e vinagrete. Tem kibe e parmegiana. Tem salgados que saem do óleo na hora, sequinhos por fora. E tem feijoada completa para quem quer o clássico sem firula. As avaliações contam a mesma história: preço absurdo de barato, salgados frescos, variedade de opções veganas, o PF como estrela da casa. Os clientes voltam e voltam. O pessoal que trabalha nos escritórios da São João já adotou o lugar como cantina particular. Não é raro ver o mesmo rosto no balcão três, quatro vezes por semana. O Boteco do Gois abre de segunda a sábado, das 10h às 21h. Domingo fecha. Na faixa de R$ 1 a R$ 20 por refeição, o Gois pratica valores que parecem de outra era. Você almoça ali, paga a conta, olha o troco na mão e fica com a sensação de que esqueceram de cobrar alguma coisa. Para um restaurante na Avenida São João, isso beira o milagre. A poucos quarteirões dali, ainda em Santa Cecília, a Rua Brigadeiro Galvão guarda um segredo noturno. O T-Burguer é uma hamburgueria que abre no fim da tarde e, nos fins de semana, fica aberta até as 5 da manhã. Cinco da manhã. Para quem sai de uma balada na região e precisa de um lanche de madrugada com substância, o T-Burguer resolve. Nota 4.6, quase 360 avaliações, lanches na faixa de R$ 20 a R$ 40. Os frequentadores mencionam o atendente Isaque como parte da experiência, o cara que já conhece seu pedido antes de você abrir a boca. A maionese da casa virou referência no bairro, daquelas que você pede extra sem pensar duas vezes. A música combina com a vibe de fim de noite, e o delivery por motoboy funciona para quem prefere comer no sofá às 3 da manhã. Dois mundos, um bairro. De dia, o PF vegano do Gois alimenta quem precisa de comida séria por preço de salgado (que, aliás, também é de jaca). De noite, o T-Burguer recebe quem precisa de um burger com maionese artesanal depois da meia-noite. Santa Cecília sempre funcionou em turnos. Cada esquina tem a sua hora. Se você nunca parou no Boteco do Gois, o almoço de amanhã é uma boa chance. Peça a coxinha de jaca. Depois me conta.

Ler Artigo Completo
Lanche artesanal servido no Check-in Burger and Bar na Bela Vista, São PauloGuia

Check-in Burger: O Bar da Bela Vista Que Transforma Lanche em Viagem

Na Rua Dr. Penaforte Mendes, um bar temático com lanches de R$ 20 a R$ 40 conquistou a Bela Vista no boca a boca. E a noite vai longe.

Sexta-feira, oito da noite. A Rua Dr. Penaforte Mendes já respira aquele ritmo de fim de semana que só a Bela Vista entrega. Na calçada do Check-in Burger and Bar, tem gente esperando mesa. De dentro vem um cheiro de carne grelhada que se mistura com o grave de uma playlist bem curada. O número 208 da rua não chama atenção pelo tamanho. Chama pela fila. O conceito do Check-in gira em torno de viagem. Cada lanche no cardápio leva o nome de um país, e a cozinha traduz essa ideia em sabor sem forçar a barra. Funciona. O carro-chefe é o lanche artesanal na faixa de R$ 20 a R$ 40, preço honesto para a Bela Vista. O pão chega tostado por fora, macio por dentro, segurando uma carne suculenta com a maionese temperada da casa. O tempero tem presença. Não é maionese genérica, dessas de bisnaga. Tem caráter, um toque que pede o próximo gole de drink para acompanhar. O bolinho de entrada completa a mesa: crocante e bem temperado, no tamanho certo para dividir sem competir com o prato principal. Quem vai pela primeira vez costuma pedir um de cada. Quem volta já sabe o seu de cor. A casa abre às 17h todos os dias. Nas sextas e sábados, estica até 1h da manhã. Durante a semana, fecha à meia-noite. Esse horário generoso faz o Check-in virar dois lugares diferentes dependendo da hora. Às 17h30, é parada rápida: pede no balcão, come em quinze minutos, segue a vida. Às 22h, outra história. Os drinks autorais tomam conta das mesas, a música sobe um pouco de volume, o clima vira de bar mesmo. A Bela Vista é bairro que tem opção demais. Com mais de 360 avaliações e nota 4.5, o Check-in construiu reputação no boca a boca de uma vizinhança que não perdoa o medíocre. Quem sobrevive ali conquista o bairro no mérito. Para quem quiser esticar a noite por outro canto da cidade, vale colocar o Pé na Lapa bar no radar. Na Vila Romana, Rua Coriolano 336, o negócio é boteco de raiz. Feijoada no almoço, caipirinha gelada, porções de comida de boteco, happy hour que rivaliza com qualquer bar da zona oeste. Com nota 4.5 em mais de 800 avaliações, o Pé na Lapa abre do meio-dia às 23h (domingos fecha às 18h). O ambiente é daqueles onde a quarta-feira já tem cara de sexta. Se o Check-in aposta no conceito temático, o Pé na Lapa é o oposto. Sem firula nenhuma. Só o essencial bem feito. Volta pro Check-in. Já passa das nove. O lugar encheu de vez. Na mesa do lado, alguém morde o lanche e a maionese temperada escorre pelo papel. Os bolinhos de entrada sumiram do prato faz tempo. Copos suados, playlist mais pesada, todas as cadeiras ocupadas, ninguém pensando em ir embora. O Check-in Burger and Bar fica na Rua Dr. Penaforte Mendes, 208, Bela Vista. Comida boa e conta justa, com a noite longa de brinde. Poucas casas entregam isso tão redondo nesse pedaço de São Paulo. Se você ainda não conhece, a fila na calçada já deu a dica.

Ler Artigo Completo