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Prato de comida nordestina servido na Casa do Norte Tradicional em ItaqueraDestaque

Casa do Norte em Itaquera: Onde São Paulo Mata a Saudade do Sertão

Com mais de 3 mil avaliações e nota 4.5, a Casa do Norte Tradicional em Itaquera alimenta a Zona Leste com o melhor da cozinha nordestina. O escondidinho de carne seca é inesquecível.

Meio-dia e quarenta numa terça-feira em Itaquera. A Casa do Norte Tradicional, na Avenida Maria Luiza Americano, 198, tem aquele barulho inconfundível de restaurante lotado: conversa alta, talheres batendo no prato, copos estalando na mesa, pedidos sendo gritados para a cozinha. Faz calor. Todo mundo come rápido e com vontade.

São Paulo tem a maior comunidade nordestina fora do Nordeste. Essa migração, que começou no século passado e nunca parou, moldou bairros inteiros da Zona Leste. Criou uma demanda por comida que tivesse o tempero certo e a carne no ponto certo. A Casa do Norte é uma resposta a essa demanda. Com nota 4.5 no Google e mais de 3 mil avaliações, o restaurante não sobrevive de novidade. Sobrevive de constância. Gente que volta toda semana porque o sabor é igual ao de casa e o prato chega do mesmo jeito toda vez.

O escondidinho de carne seca é o prato que domina as mesas. Chega numa travessa com a camada de purê de mandioca dourada por cima, com aquela casquinha fina que estala quando o garfo fura. Embaixo, carne seca desfiada com tempero forte, do tipo que aquece a garganta antes de chegar ao estômago. A textura da carne é macia, quase desmanchando. O contraste entre o purê cremoso e a carne salgada funciona toda vez. Prato simples. Execução perfeita.

O cardápio vai fundo na cozinha nordestina. O baião de dois vem carregado de feijão de corda com queijo coalho derretido no meio do arroz, e a porção é honesta, dá pra dividir entre dois e sobrar pra um. A feijoada das quartas-feiras atrai uma clientela fiel que já sabe o dia e chega cedo. O torresmo é crocante e salgado na medida certa. A carne de sol bem passada acompanha mandioca cozida macia, daquelas que você nem precisa mastigar. A linguiça na chapa tem aquele defumado que gruda no paladar. Para beber, caipirinha clássica: limão com cachaça no gelo, sem firula.

O restaurante fecha às segundas. De terça a sábado funciona das 11h30 às 23h30. Quem vai no almoço enfrenta o salão cheio, especialmente entre meio-dia e 14h. Pegar mesa perto da 13h exige paciência. À noite o ritmo é outro, mais calmo e com mais espaço. O mesmo sabor. Itaquera não é roteiro gastronômico de revista. É bairro de trabalhador, de gente que come por necessidade e por prazer ao mesmo tempo. A Casa do Norte entende isso e cobra preços que fazem sentido para quem mora ali. Não é restaurante de experiência. É restaurante de alimentação.

Às 14h a correria vai diminuindo. Mesas esvaziam devagar. Alguém pede mais um café. O cheiro de tempero forte ainda toma conta do ar. Lá fora, a avenida segue barulhenta, indiferente ao que acontece ali dentro. Mas quem acabou de comer sai diferente. Sai com o estômago pesado no melhor sentido e com uma pergunta que vai voltar a incomodar na próxima quarta-feira: por que eu não venho aqui mais vezes?

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