Oaxaca tem quase 900 estabelecimentos de comida. Desses, mais de 150 são restaurantes com serviço completo, cardápio fixo e proposta definida. A nota média é 4.48 numa escala de 5, o que parece generoso até você perceber a competição que existe nessa cidade. O número que conta a história toda é outro: mais de 300 lugares operam na faixa econômica (até MX$100 por pessoa) e meros 6 cobram preços de alta gastronomia. A faixa intermediária, com pouco mais de 130, fica espremida no meio. Oaxaca é uma cidade onde comer bem e comer barato são a mesma coisa.
O caso mais extremo dessa equação é o Restaurante Pig & fish La Cochera, na Calle Eduardo Vasconcelos 201, bairro Reforma. Score de qualidade: 96.4 de 100, o mais alto da cidade. Preço: menos de MX$100 por pessoa. Aberto das 10h às 19h todos os dias. A carta passa por cochinita pibil, tacos de arrachera, empanadas, tacos de camarão, tacos de peixe e enchiladas, com michelada no balcão. São mais de 650 avaliações com média de 4.4. É o tipo de lugar que, em outra cidade, cobraria o triplo e ninguém reclamaria.
Na Carretera Internacional, fora do centro, o Restaurante Tangerina segue uma lógica parecida. Funciona 24 horas, sete dias por semana. Score de 91.8 e nota 4.3 em mais de 550 avaliações. Preço abaixo de MX$100. O cardápio é oaxaqueño puro: tasajo, mole, enfrijoladas, comida caseira sem pretensão. Quem frequenta elogia a vista e a limpeza. Para quem chega de madrugada ou precisa de algo consistente antes de pegar estrada, Tangerina resolve sem cerimônia.
Quando o orçamento sobe para MX$100-200, os resultados são menos previsíveis. O Gallo Cervecero SportsBar na Plaza Bella cobra nessa faixa e entrega: nota 4.8 com mais de 1.400 avaliações, score de 90.8. Mas compare com o Espacio Luvina: nota de 4.9 (a mais alta entre os dez melhores da cidade) e score de 89.6, tudo por menos de MX$100. Luvina custa metade do Gallo Cervecero e tem nota superior. A pergunta que ninguém ignora: por que pagar mais?
O fenômeno à parte é o Boulenc. Mais de 8.000 avaliações. Nenhum outro restaurante entre os dez melhores passa de 5.000. Nota 4.6 com score de 89.6. Preço na faixa econômica. Boulenc virou referência obrigatória, o tipo de lugar que todo turista conhece e todo oaxaqueño opina sobre. Na outra ponta, Moogoñé (Cocina de época) tem quase 500 avaliações e nota 4.7, com score de 90.0 na faixa intermediária. A proposta de revisitar receitas históricas de Oaxaca atrai quem procura algo além do cardápio padrão, e quem vai aprova. O lugar ainda não tem a escala de público dos pesos-pesados, mas a nota sugere que é questão de tempo.
O retrato fica nítido quando se olha de cima. O melhor score da cidade (96.4, Pig & fish) custa menos de MX$100. O maior volume de aprovação (mais de 8.000 avaliações, Boulenc) custa a mesma coisa. De quase 900 estabelecimentos, apenas 6 operam na faixa premium e nenhum aparece entre os melhores scores. O segmento de alta gastronomia em Oaxaca não existe com força, ou existe sem conseguir competir com o que a comida econômica entrega. Para quem come aqui, a conta fecha rápido: gaste menos, coma melhor. O espaço para um restaurante caro que justifique o preço continua aberto.