São João del Rei tem um jeito próprio de alimentar quem passa por suas ruas de pedra. Entre a arquitetura colonial e o som dos sinos, a comida aqui tem presença marcante: o cheiro de pão recém‑saído do forno, o brilho das casquinhas de picolé nas calçadas e o barulho dos copos batendo nas mesas do centro. Cada esquina traz uma lembrança de família ou de festa de rua, e isso faz a experiência gastronômica diferente de qualquer outra cidade mineira.
Começo o dia na Padaria Jardim Aeroporto, na Av. Trinta e Um de Março, 1314, no bairro São Francisco. A porta abre às seis da manhã e o cheiro de café forte já me chama antes de eu perceber. O pão de queijo sai quente, com a casca crocante e o interior macio, custando cerca de R$ 3. A coxinha de frango está na mesma faixa de preço, e o bolo de fubá acompanha bem o expresso. O ambiente tem mesas de ferro e um balcão onde o padeiro troca papo rápido com os clientes. A fila costuma ser curta, o que permite um café rápido antes de seguir para a praça da Matriz.
Depois de um lanche reforçado, dou uma passada no Picolé do Amado, na Rua José Leite de Andrade, 28, no Centro. O lugar funciona de 11 h às 19 h todos os dias e oferece picolés artesanais que parecem obras de arte. O sabor de abacate, com aquele toque cremoso, é o favorito dos locais; outra boa pedida é o picolé de fruta vermelha, que deixa a língua levemente ácida. Não há tabela de preços, mas o valor é acessível e a fila costuma ser rápida, principalmente nos fins de semana quando turistas curiosos chegam para provar a tradição que virou assunto nas redes sociais.
Para o almoço, a Taberna d'Omar – Cozinha Artesanal, no coração histórico, é parada obrigatória. A taverna fica a poucos passos da Igreja de São Francisco, rodeada por lojas de artesanato. O prato que sempre recomendo é a feijoada artesanal, feita com carnes selecionadas e feijão preto de produção local. Acompanhamento de arroz branco, couve refogada e farofa crocante completa a refeição. O ambiente tem mesas de madeira rústica e iluminação suave, criando um clima que combina bem com a conversa animada dos frequentadores. Embora o preço não esteja listado, a qualidade justifica o gasto, especialmente quando comparado ao bar ao lado.
À noite, o Penna's Bar, na Rua dos Barreiros, 45, oferece um contraste animado. O bar abre às 18 h e tem opções de petiscos como torresmo crocante e pastel de carne, que custam entre R$ 8 e R$ 12. As bebidas, principalmente a caipirinha feita com cachaça artesanal, ficam na faixa de R$ 20 a R$ 40. O balcão de madeira escura, iluminado por luzes amarelas, cria um espaço acolhedor onde amigos se reúnem para jogar sinuca ou ouvir música ao vivo nos fins de semana. Comparado ao café da manhã na padaria, o preço do bar é bem mais alto, mas a experiência de fechar o dia com música ao vivo compensa o investimento.
Se quiser experimentar tudo em um dia, siga este roteiro: chegue à Padaria Jardim Aeroporto logo ao abrir, saboreie um pão de queijo e um café, depois caminhe até o Centro para o picolé artesanal no Picolé do Amado. Na hora do almoço, sente-se na Taberna d'Omar para a feijoada e, ao cair da noite, termine no Penna's Bar com um copo de caipirinha e petiscos. Todas as paradas ficam a uma curta distância a pé, facilitando a transição de um sabor para outro sem precisar de carro. Assim, você sente o ritmo da cidade, do aroma do pão ao som dos copos batendo, e ainda conhece os preços que cabem no seu bolso.
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